Quando a operadora do metrô de São Paulo Maria Elisabeth de Oliveira decidiu entrar para o ramo, em 1986, não havia nenhuma mulher em posição de comando de trens no Brasil. Ela já era empregada e sabia que havia muitas pessoas do sexo feminino brigando para serem operadoras. Foi quando participou de um concurso interno e passou. Na ocasião, três mulheres foram admitidas para o cargo. O curso durou seis meses. “Muita gente pensa que o operador só fica ali na cabine, e não faz mais nada. Mas, na verdade, tem que sanar todas as falhas. Você aprende as partes teórica e técnica e tem que resolver qualquer coisa que aconteça no trem, nem que seja para ele ser rebocado”, conta. 

Ela lembra das dificuldades no início da profissão, porque os homens que trabalhavam no metrô não aceitavam a presença feminina. “Eles achavam que a gente ia tomar o lugar deles e que não íamos acrescentar. Era um pensamento machista. Muitos operadores achavam que não era serviço para mulher. A gente provou, com o decorrer dos anos, que isso não era verdade”. A pressão era tanta que a operadora perdeu as contas de quantas vezes chorou quando chegou a sua casa para desabafar sobre a situação. 

O preconceito também vinha dos passageiros, que, muitas vezes, esperavam um operador do sexo masculino na cabine. “Isso mudou muito de lá para cá. E não posso deixar de lembrar dos outros que acenavam ou até mesmo das demonstrações de carinho que recebi pelo pioneirismo na posição”, ressalta a operadora. Com o passar dos anos, o número de mulheres na função cresceu bastante. Atualmente, cerca de 50 trabalham na linha em que ela atua. "Mesmo assim, existem muito mais homens. Na minha escala, de 40 empregados, apenas quatro ou cinco são mulheres.”

Dos entraves da profissão, ela menciona a conciliação do trabalho com a família. “Muitas vezes, deixei de passar o Natal e o Ano-Novo com eles. Tive que me adaptar. Uma vez meu filho ligou para o meu supervisor e pediu para ele me dispensar no Natal para ficar com ele. Ele tinha 8 anos. O chefe conseguiu alterar a minha escala só por causa do pedido dele”, lembra. Mas isso não desanimou a operadora de prosseguir. Hoje ela e a família têm orgulho da profissão. “Teve um dia em que o meu neto mais novo falou para a professora: ‘você sabia que a minha vó dirige metrô?’. Meus filhos também gostam do que faço, porque sabem da batalha que foi”, diz.

Ao falar do ofício que escolheu para a vida, os olhos brilham: “Eu carrego 2.000 pessoas dentro do metrô. Quando eu paro na estação, observo no espelho aquele monte de gente saindo, cada um com a sua vida. É recompensador saber que eu ajudo todos aqueles passageiros a se locomoverem todos os dias.” 

A série Mulheres no Comando continua nesta quarta-feira (7) com a história de Patrícia Ramanauskas, que foi a pilota mais jovem da Azul Linhas Aéreas. 

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