Ainda que pareça um mercado distante de muitos brasileiros, a blindagem de veículos é uma realidade por aqui. O Brasil é líder mundial na contratação do serviço, com uma frota total de 200 mil automóveis de passeio blindados (média de 17 mil carros por ano), sendo 70% desse volume somente no estado de São Paulo. Os dados são da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem). Segundo a entidade, o nicho onde a blindagem prevalece é o de automóveis, mas outros setores, como o rodoviário de cargas, também vêm adotando a tecnologia em larga escala. 

O foco dos que optam pela blindagem é a segurança. Com o crescente aumento do número de assaltos e de roubos de cargas em todo o país, empresários, altos executivos, autoridades, políticos e artistas vêm fazendo da tecnologia uma regra, mesmo com o alto valor desembolsado: R$ 60 mil, em média, por veículo. Para caminhões, a blindagem pode chegar a R$ 1 milhão. “A tecnologia se tornou muito importante nos últimos dez anos em decorrência da violência no país. Por isso, passou a ser uma necessidade. Antigamente, apenas milionários optavam pela blindagem. Hoje, muita gente deixa de comprar algo em casa para proteger seus veículos”, avalia o sócio proprietário da BSS Serviços de Blindagem Ltda., Mário Brandizzi.


Blindagem no transporte rodoviário de cargas


No setor rodoviário de cargas, várias empresas têm recorrido a esse serviço para garantir a segurança dos produtos transportados. É o caso, por exemplo, da Transvip, que transporta materiais de alto valor agregado, como eletrônicos, joias e barras de ouro. A blindagem dos veículos funciona da mesma maneira – na cabine e com seguranças armados. O diferencial é que a carroceria possui sistemas de segurança com uma espécie de plataforma de aço travando as portas do caminhão e uma fechadura randômica (com senha e contrassenha) de abertura.  No total, seis carretas possuem o sistema. “Os veículos são tão seguros que conseguimos transportar até R$ 12 milhões por viagem. Se algo acontece, a seguradora cobre o prejuízo imediatamente”, garante o gerente comercial, Luiz Carlos Navarro. 

Ele explica que, desde que a empresa implementou a tecnologia nos caminhões, há cerca de dois anos, o registro de ocorrências de roubos de cargas caiu a zero. “Os veículos têm a logomarca da empresa, e o cavalo é diferente. Além disso, a carreta é maior, o que faz com que os ladrões saibam que se trata de um veículo blindado e desistam da ação”, garante. Ele diz que a empresa optou pela blindagem porque os constantes assaltos estavam tornando o transporte inviável. “Em algumas localidades, o transportador não queria mais atuar, as seguradoras não aceitavam segurar, e os motoristas preferiam não dirigir”, lembra. 

O investimento chega perto de R$ 1 milhão, por veículo, incluindo carretas com câmeras e sistema eletrônico de abertura e fechamento das portas. Segundo Navarro, o frete para esse tipo de transporte é mais caro, assim como o seguro. “Mesmo assim, compensa blindar, pois transportamos um alto valor por vez. Uma carreta normal teria que fazer o mesmo transporte 12 vezes para alcançar a capacidade desse veículo”, conclui.  

Foto: Mauricio Oliveira/Divulgação
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No Grupo Esquadra, com foco em transporte de valores, a blindagem também é regra. Todos os veículos da empresa são protegidos para tentar evitar prejuízos com o material de alto valor agregado que vai dentro dos veículos, como dinheiro, obras de arte, joias e eletrônicos. 

O sócio-diretor comercial do grupo, Marcos Vinícius Ferreira, explica que, além da blindagem na cabine no veículo, todo o trajeto é feito com seguranças armados. Outra estratégia é o uso de material à base de polipropileno no interior da carroceria do veículo, onde a carga é transportada.  Em caso de explosão, o material solta uma espuma grossa que protege a carga, mesmo se o veículo for atingido por armas de guerra.

“Investimos muito, mas ainda não estamos livres de ataques no meio da estrada. Só neste ano, foram três tentativas”, lembra. Ele critica a legislação para transporte de valores, que só permite que os seguranças portem armas de calibres 38 e 12. “Enquanto os bandidos carregam fuzis e armas de guerra, geralmente roubados da polícia, nossa equipe tem armamento limitado por lei. Mas, ainda assim, a blindagem e os seguranças que ficam dentro do veículo acabam inibindo os ataques de forma substancial”, diz Ferreira.   

Após crise, setor retoma blindagens


Com o forte impacto da crise econômica sobre o comércio de veículos a partir de 2014, as empresas de blindagem também foram prejudicadas. Segundo o presidente da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem), Marcelo Christiansen, a aquisição do serviço de blindagem está associada à venda de carros novos. Como a crise afetou em 40% a venda de carros premium, que custam acima de R$ 130 mil, a blindagem também foi impactada na mesma medida. “Neste ano, estamos em recuperação e acreditamos que, no atual momento, o índice é de apenas 20% de prejuízo em todo o país. Mas esperamos finalizar 2018 com o mercado plenamente recuperado”, acredita. 

A BSS Serviços de Blindagem Ltda. é um exemplo de empresa que começa a sentir os efeitos da recuperação. “A crise afetou muito a empresa. Em 2014, blindamos 1.600 carros. Em 2015, 1.500. Em 2016, 1.300. Neste ano, o número começou a subir e já estamos com 1.350 blindagens somente entre janeiro e abril. Foram os melhores quatro meses da nossa história. Acreditamos na retomada e no aumento da nossa participação no mercado”, avalia o sócio proprietário, Mário Brandizzi.

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