A reforma da Previdência é o primeiro passo para a geração de confiança no Brasil e para a recuperação da economia. Depois, o dever de casa deve começar a ser feito, e outras medidas essenciais precisam ser viabilizadas. A afirmação é do economista Luís Susigan, diretor de mercados da LCA, que fez uma palestra na sede da CNT, em Brasília.

Ele citou a reforma tributária como uma das primeiras ações que deve ser viabilizada. “A reforma previdenciária é uma condição necessária, mas não suficiente para a recuperação da economia brasileira, a fim de destravar o nosso crescimento.” Assim como outros especialistas da área de economia, ele acredita que essa melhoria das condições econômicas do país só deve ter início em 2020.

De acordo com Susigan, o Brasil precisa gerar confiança jurídica e institucional. A imagem do país precisa melhorar, segundo ele. A credibilidade precisa ser reconstituída. “Precisa haver segurança para o investidor de que o investimento que ele vai colocar no país não corre o risco de ser completamente perdido”.

Para isso, conforme Susigan, é necessário, em primeiro lugar, mostrar que o Brasil é um país que não irá falir. Por isso, segundo ele, é importante a aprovação da reforma da Previdência. Depois, é imprescindível melhorar o ambiente político brasileiro.

“O pilar da confiança jurídica, institucional e econômica é fundamental. Isso passa, de maneira geral, pela redução de animosidades políticas. Estamos vivendo um processo de fragmentação político-partidária, de polarização. Isso precisa ser reduzido.”

O diretor de mercados da LCA comentou também que a economia mundial passa por um momento de desaceleração econômica. Isso requer ainda mais atenção, “porque o mundo não vai ajudar o Brasil a destravar o seu crescimento”.

Há uma grande expectativa de que a reforma da Previdência será essencial para a recuperação da economia do Brasil. Quando o senhor considera que ela será aprovada e qual é a agenda necessária após a reforma?

A reforma previdenciária é uma condição necessária, mas não suficiente para a recuperação da economia brasileira a fim de destravar o nosso crescimento. A ideia é restabelecer uma perspectiva de reequilíbrio fiscal, de longo e médio prazos, para que isso possa servir de base a uma retomada de investimentos e do crescimento. Ela é muito necessária, mas é preciso fazer outras alterações, outras reformas. É preciso adotar outras medidas que possam, de fato, conferir estabilidade às contas públicas e também estabilidade econômica ao país. Temos a reforma tributária, que é muito importante. Temos, também, mudanças necessárias em relação ao acesso ao crédito, modificações nas relações de trabalho. A reforma da Previdência é o primeiro passo e, depois, o dever de casa deve começar a ser feito.

Dá para estimar em quanto tempo a reforma da Previdência e essas outras medidas vão acontecer de fato?

A aprovação da reforma previdenciária depende essencialmente das condições políticas. Já percebemos que essas condições não são amplamente favoráveis à aprovação de maneira célere. É preciso que o governo melhore suas relações com o Congresso, com as forças políticas. Achamos que uma aprovação em primeiro turno não ocorrerá na Câmara antes de agosto ou setembro. Parece-me ser difícil uma retomada do crescimento já em 2019.

A situação que o país vive hoje não passa confiança para os investidores, sejam eles nacionais ou internacionais?

O Brasil não está passando muita confiança ultimamente. A confiança é construída em cima de vários pilares. Um deles é o econômico. A expectativa de crescimento econômico gera confiança no investidor. Mas acho que o principal pilar de confiança que precisa ser restabelecido é o jurídico institucional. Precisa haver uma segurança para o investidor de que o investimento que ele vai colocar no país não corre o risco de ser completamente perdido. Perdido, por exemplo, para uma ação voluntarista governamental, por um problema relacionado a tensões sociais, por algum problema jurídico de enfrentamento, por alguma proibição ou mudança de lei ou mesmo por falta de previsibilidade em termos de retorno desse investimento. Essa segurança precisa ser construída. Essa credibilidade precisa ser reconstruída. E isso passa pela perspectiva de reequilíbrio das contas públicas, pela perspectiva de acomodação das tensões políticas.

O investimento em infraestrutura de transporte é essencial para a recuperação da economia? Qual a perspectiva diante do cenário que está colocado hoje?

A infraestrutura de transporte, assim como a de energia, de telecomunicações, é extremamente importante para a retomada do crescimento. O Brasil tem gargalos de infraestrutura. Sabemos que o aumento de capital para a infraestrutura logística poderia conferir muito mais consistência ao crescimento da economia, mais regularidade, mais velocidade de crescimento. Poderíamos ter um potencial muito maior se tivéssemos infraestrutura logística eficiente. Mas esses investimentos só vão ocorrer se houver uma melhora da segurança. Investimentos de grande porte pedem segurança jurídica, econômica, política, institucional. Com insegurança, ninguém investe muitos recursos para ampliar a infraestrutura.

Qual o primeiro passo para restabelecer essa segurança?

O primeiro é o governo mostrar que não vai falir. A reforma da Previdência nada mais é do que isso. Temos que conferir estabilidade às contas públicas. Se o governo não tiver estabilidade e se ficar inadimplente e insolvente, é óbvio que isso aumentará a insegurança em cima do que ele pode fazer. O primeiro passo, então, é o governo demonstrar que tem capacidade de sustentar suas próprias contas no longo prazo. O segundo, que talvez seja ainda mais difícil, é resgatar essa segurança, esse pilar da confiança jurídica, institucional e econômica. Isso passa, de maneira geral, pela redução de animosidades políticas. Estamos vivendo um processo de fragmentação político-partidária, de polarização política. Precisamos da normalização da questão política para que possamos transmitir mais confiança para o investidor.

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