O Dia do Caminhoneiro é celebrado em 30 de junho. Neste ano, a data cai num domingo. Para muitos desses profissionais, não será dia de descanso. É normal que estejam na estrada. Por isso, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) e o SEST SENAT propõem uma homenagem diferente. Que tal gastar um minuto para pensar nesses trabalhadores? Na vida que eles levam?

Em fevereiro passado, a CNT apresentou a Pesquisa CNT Perfil dos Caminhoneiros. Lá, a gente fica sabendo que, em geral, são homens. Que têm, em média, 44 anos; que rodam 8,5 mil quilômetros por mês. Ficamos conhecendo vários dos problemas enfrentados, que vão da qualidade das rodovias ao risco elevado de assalto. A pesquisa pode ser baixada aqui. 

Apresentamos alguns desses dados logo abaixo, mas intercalados com o depoimento de Milton Antonio Librelon, o Toninho. Caminhoneiro com mais de 38 anos de serviço, morador de Montes Claros (MG), dono do próprio veículo, ele encarna as dores e as alegrias desse ofício, responsável por transportar mais de 60% de tudo o que o país produz e consome. Confira:


Os caminhoneiros têm, em média, 18,8 anos de profissão. 67,8% possuíam uma profissão anterior à de caminhoneiro.

“A gente já tem a profissão quase no DNA. Meu avô, meus tios, meu pai eram caminhoneiros. Então eu fui criado naquele ambiente de caminhão, tirando roda na porta de casa, viajando com o meu pai. Naquela época, com os caminhões a gasolina, menores e sem conforto, a gente dormia no tapete do caminhão porque não tinha cama. Esse foi o ambiente em que fomos criados. Comecei a trabalhar muito cedo. No mês que fiz 18 anos, tirei minha identidade e me habilitei. É uma profissão que a gente exerce, de certa forma, com muita satisfação.”


31,4% disseram que a profissão é desgastante. E 28,9% acreditam que a profissão compromete o convívio familiar.

 “Hoje estou com 56 anos e já estou motorista muito cansado. Peguei uma época muito difícil. De caminhões inferiores, de estrada precária. Hoje já tenho muita debilidade de saúde. Acredito que eu já tenho tempo de serviço para entrar com os papéis. Mas, se me aposentar, tenho um certo receio de não me adaptar à vida dentro de casa. Diferentemente das pessoas de outras profissões, que têm o sonho de parar de trabalhar. Será que vou me adaptar? Será que vou me acostumar a não mais estar todo dia em um lugar diferente?”


Entre os entrevistados, 31% consideram como ponto positivo da carreira o fato de conhecerem novas pessoas. Eles (37,1%) também valorizam a possibilidade de visitar cidades e países que, de outra forma, não conheceriam.

“Tenho muitos vínculos de amizade por esse país afora. Amizades de mais de 30 anos nesse mundo que só fala de óleo diesel, de frete, de caminhão. Eu gosto da profissão. Hoje, se fosse para eu nascer de novo, o que eu ia querer? Eu ia querer ser caminhoneiro? Sim! Mas ia querer com um sonho diferente, com uma remuneração melhor, para poder dar uma qualidade de vida melhor para a família, para não se preocupar quando quebrar um motor, uma caixa (de marcha) quebrar, e depois ficar um ano pagando. Caminhão precisava ser uma profissão mais justa. Acho que, no Brasil, não tem nenhum outro profissional que trabalhe tanto quanto o chofer de caminhão.”


A baixa qualidade da infraestrutura e a baixa remuneração são apontadas como ameaças ao futuro por 20,9% e 50,4% dos entrevistados, respectivamente. Quanto à imagem que as pessoas fazem da profissão, 43,8% disseram que é uma imagem pouco valorizada.

“A gente tem esperança. Talvez não eu, mas as próximas gerações de motoristas talvez tenham uma qualidade de vida mais adequada. A gente trabalha em prol da nossa nação. Acho bacana quando, na minha cidade, olho uma avenida e penso: ‘Aqui tem um pouco de trabalho meu’. Você vê um estádio de futebol, uma rodovia, uma hidrelétrica e fala: ‘Eu trouxe cimento aqui. Eu contribuí para a construção’. Então, a gente está em contato direto com o desenvolvimento. Para cada canto que olha, sabe que tem um dedinho seu, uma contribuição do seu trabalho. E, infelizmente, não tem reconhecimento. Isso, às vezes, angustia a gente.”


Atendimentos gratuitos para caminhoneiros

O Dia do Caminhoneiro inspira o SEST SENAT a oferecer mais uma semana nacional de atendimentos gratuitos a esse profissional. Entre 30 de junho a 5 de julho, serão cerca de 60 pontos de parada, estrategicamente localizados em postos de combustíveis, terminais de cargas e centros de distribuição. Serão realizados atendimentos de saúde bucal, aferição de pressão arterial e aulas de alongamento, com foco na prevenção de doenças da coluna e orientação sobre a boa postura corporal. Também haverá informações sobre alimentação saudável e os riscos do uso de álcool e drogas. O projeto ocorre em parceria com o Ministério da Infraestrutura. Mais detalhes podem ser acessados aqui.


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