Se você consegue dar a partida no motor do seu carro apertando um botão, trocar as marchas por meio do sistema de borboletas ou usar os freios ABS, saiba que, se não fosse a maior categoria do automobilismo, você não teria à sua disposição essas facilidades para dirigir. Essa modalidade, que construiu inovações tecnológicas que saíram dos circuitos para os carros de passeio, chegou à milésima corrida, em abril, no GP de Xangai, na China, da temporada de 2019.

Iniciada em 13 de maio de 1950, a Fórmula 1 é o maior laboratório para o desenvolvimento de recursos que podem ser aplicados em automóveis. Ela testa a eficiência das inovações que, se aprovadas, passam para os testes de durabilidade e aplicabilidade, conforme destaca o gerente sênior de vendas de automóveis da Mercedes-Benz do Brasil, Dirlei Dias.

“Entre as tecnologias que migraram para as ruas, podemos citar o controle de estabilidade e de tração, baterias de alta voltagem e o Kers (recuperação de energia, que transforma energia cinética em elétrica)”, comenta Dias. Ele cita que a engenharia da F1 trouxe inspirações para levar às ruas elementos que antes eram vistos exclusivamente nos autódromos.

“Hoje, os motores da categoria possuem eficiência termodinâmica de quase 50%. Ou seja, aproveitam uma quantidade significativa da energia que eles próprios produzem. Esse volume é extremamente relevante se pensarmos que veículos a combustão comum não ultrapassam os 30%.”

O modelo AMG ONE, da montadora Mercedes-Benz, é um exemplo dessa migração tecnológica. Ele é o primeiro veículo de passeio da história a utilizar a tecnologia híbrida presente na Mercedes bicampeã do circuito mundial, com o inglês Lewis Hamilton. O esportivo possui um motor V6 de 1.6 litros, movido a gasolina com injeção direta, além de outros quatro motores elétricos.

Para o professor de engenharia automotiva da UnB (Universidade de Brasília), Alessandro Borges, a gestão da energia é um dos grandes diferenciais que tomaram as ruas. “Essa é a grande inovação. São os chamados híbridos, que recuperam energia com os freios e transformam em eletricidade. A energia é armazenada em baterias e reutilizada no carro. Hoje, um Fórmula 1 tem 160 cavalos só de recuperação de energia.”

Borges ainda cita a evolução dos freios, da fibra de carbono e da tecnologia embarcada. “Os freios eram de aço ventilado, depois foram feitos de carbono e hoje de cerâmica, usada em veículos esportivos. A fibra de carbono é usada na construção do chassi e da suspensão. É extremamente leve e mais forte que o aço. Os carros também utilizam sistemas como OBB2 (que acessa os sistemas do carro). Ainda tem o câmbio borboleta, que trouxe facilidade para o motorista e tirou vícios, como pisar na embreagem. Além disso, a transmissão automotizada dá uma resposta em termos de eficiência, melhoria de condução e menos custo para o motorista”, finaliza.

Outras evoluções foram sentidas em relação à aerodinâmica e à segurança. O gerente sênior da Mercedes-Benz comenta que os modelos da Fórmula 1 são constantemente estudados para compartilhar sistemas de segurança, autonomia e performance. “Os estudos aerodinâmicos visam a uma melhor performance dos automóveis e, em paralelo, economizam combustível. Além disso, desempenho, durabilidade e aplicabilidade dos itens desenvolvidos na F1 são testados e, quando comprovados, podem migrar para os automóveis de rua.”

Reportagem: Carlos Teixeira

Foto: Lotus Divulgação

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