A economia, tanto no mundo quanto no Brasil, está surpreendendo as expectativas no começo de 2021, com um comportamento melhor do que o esperado quando começaram os impactos da pandemia do novo coronavírus. Só que o panorama positivo requer cautela por conta do risco de aumento da inflação e das incertezas em relação aos desdobramentos econômicos, políticos e sanitários até 2022.

A avaliação é do economista Nelson Barbosa, professor da UnB e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, feita durante a apresentação “Perspectivas macroeconômicas e do investimento público em infraestrutura”, realizada nessa quarta-feira, 16, a convite da Confederação Nacional do Transporte (CNT) para empresários do setor.

Ao falar sobre a conjuntura e o cenário econômico global, Barbosa pontuou que o avanço da vacinação tem sido a principal contribuição para a melhora do quadro econômico e, consequentemente, o menor grau de restrição de mobilidade. “A vacinação é muito mais uma questão de logística hoje: fazer a vacina chegar e convencer as pessoas a se vacinarem”, ressaltou.

Para Barbosa, o Brasil vai precisar ter mais atenção em acompanhar a retomada mundial, fazendo uma gestão da recuperação da demanda e da geração de empregos, sem que isso comprometa em demasia o comportamento da inflação. “Só auxílio emergencial não resolve. O que gera produção é emprego. É preciso ter um planejamento para isso”, destacou.

Nesse âmbito, Barbosa apontou o papel dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, principalmente em novos projetos (greenfield) que têm maior potencial de criar um volume mais expressivo de postos de trabalho e ativar o crescimento da construção civil. Outro fator que merece cautela é a ameaça de crise de energia elétrica, com o período de seca que se aproxima, o que pode, se for confirmada, frear a retomada econômica.

Segundo o economista, o “dever de casa agora” é chegar a um consenso para enfrentar as questões que estão postas, principalmente em relação a reformas tributária e administrativa bem-feitas. “Na tributária, os empresários do setor de transporte, pequenos ou grandes, devem acompanhar a discussão da alíquota, pois sofrerão os impactos de sua alteração; e na (reforma) administrativa, devem apontar onde os serviços públicos não estão atendendo ao transporte de forma adequada e por quê. Se o país demorar muito para sair da recessão, o efeito permanente será maior. A crise de 2008 deixou isso claro”, concluiu.

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