A CNT (Confederação Nacional do Transporte) realizou nesta quinta-feira (7) mais uma edição do Fórum CNT de Debates, cujo tema foi “Desestatização dos Correios: oportunidades e desafios para o Brasil”. A programação foi dividida em dois painéis, em que se discutiram os estudos técnicos e a modelagem para a desestatização e, ainda, as perspectivas para o setor postal e para a logística brasileira.

O presidente da CNT, Vander Costa, abriu os trabalhos com uma reflexão sobre a conveniência de se transferir ativos públicos para a iniciativa privada. “Historicamente, a gestão privada de atividades econômicas se baseia nos princípios de minimização de custos e de maximização da rentabilidade, que têm como requisito a busca incessante de eficiência. Além disso, em contraste com a máquina pública, os gestores privados conseguem efetuar com mais rapidez os investimentos, a absorção de tecnologias e a incorporação das melhores práticas em seu negócio”, ponderou.

Em relação ao caso específico dos Correios, Vander Costa afirmou que a CNT acompanha com expectativa o avanço do Projeto de Lei n.º 591/2021, que tramita no Senado Federal. O PL visa estabelecer os parâmetros para a desestatização e, se aprovado, abrirá caminho para um leilão, previsto para o início de 2022. “A venda dos Correios tem o potencial de atrair o interesse de empresas do e-commerce e que estão na vanguarda tecnológica desse tipo de serviço”, apontou.

Em sua participação, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, ressaltou o empenho da pasta em avaliar detalhadamente a situação dos Correios, “empresa secular que muito nos orgulha”, e, ao mesmo tempo, preservar a função social do serviço. “Talvez essa seja a última janela para se tentar a venda dos Correios (em condição favorável). Para que isso ocorra, avaliamos que o entrante teria de receber o ativo maior, que são as encomendas, para, com esse ativo, pagar o compromisso da universalização de entregas no Brasil”, disse.

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, convidou os participantes a “olhar à frente”. “Precisamos pensar que, daqui a alguns anos, a 5G será normal. Lidaremos com inteligência artificial, convergência entre setores, carros voadores pilotados de forma autônoma”, instigou, questionando a capacidade de inovação da estatal. E tranquilizou: “A modelagem pensada pelo BNDES não deixará ninguém para trás. Todos os agentes serão beneficiados em relação ao que se tem hoje – desde o microempresário que mora em lugar remoto até os trabalhadores da empresa, que terão o passivo nos fundos de pensão equacionados”.

Para o deputado federal Diego Andrade (PSD/MG), a privatização dos Correios é um caso clássico de que o Estado deve se ocupar, prioritariamente, do provimento de educação, saúde e segurança. “Enxergo esse processo como modernização da máquina pública. Defendo que o melhor é focar os investimentos para onde mais precisa e ter braço forte para indicar o caminho dos setores estratégicos”, opinou.

No painel sobre modelagem para a desestatização dos Correios, Fábio Abrahão, diretor de Concessões e Privatizações do BNDES, lembrou o exemplo de grandes empresas que foram varridas por rupturas tecnológicas, caso da Xerox, da Kodak e da Blockbuster. “É muito difícil para uma estatal, por suas travas, reagir num ambiente desses. É necessário ter um nível de independência de ação, motivação e engajamento que, nos últimos anos, não vimos nos Correios”, expôs, com a ressalva de que a empresa vem recuperando capacidade financeira e performou muito bem em 2020.

Matthew Grovier, diretor da Accenture, empresa integrante do consórcio responsável por elaborar o plano de privatização dos Correios, revelou as diretrizes que guiaram o trabalho. “Se você aliar escala e capilaridade com capacidade de investimento e flexibilidade de gestão, terá uma empresa vencedora, que vai gerar valor para toda a sociedade e, em especial, para a cadeia na qual ela atua, que são os micro, pequenos e médios empresários”, detalhou.

Encerrando o primeiro painel, o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, apresentou as tendências que devem nortear a cadeia de suprimentos nos próximos anos. Diante de um cenário altamente competitivo e tecnológico, o diretor explica que não há de se sentir nostalgia. “Existe uma relação afetiva dos brasileiros com os Correios. Todo mundo recebia uma revista em casa, recebia a carta de um amigo, mas o mundo mudou. De repente, a gente conversa por mensagem instantânea. E evoluir pressupõe investimento”, ilustrou.

Também participaram do evento Diogo Mac Cord, secretário Especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia; Urubatan Helou, diretor-presidente da Braspress; e Piero Minardi, sócio-diretor do escritório da Warburg Pincus em São Paulo.

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