Palavra do Presidente

2018 tem que ser o ano da infraestrutura*

Em 2017 registramos muitas conquistas e alguns retrocessos. No balanço geral, o ano foi positivo. O país superou a pior crise econômica da sua história e abriu caminhos para uma retomada vigorosa do crescimento econômico a partir de 2018.

Entre os avanços mais relevantes, estão o teto de gastos, a Reforma do Ensino Médio, a terceirização da mão de obra, a nova Lei Trabalhista e os debates sobre a reforma da Previdência. As mudanças estão trazendo modernidade ao Estado brasileiro, colocando o país em linha com o que há de mais eficiente e inovador na economia mundial.

Aos poucos, o Brasil vem reconquistando credibilidade no mercado internacional, mas, para se expandir, o investimento produtivo também precisa de infraestrutura e foi exatamente nessa área que foram registrados retrocessos em 2017.

A 21ª Pesquisa CNT de Rodovias mostrou que a qualidade da infraestrutura rodoviária do país piorou. Apenas 38,2% dos trechos percorridos receberam classificação boa ou ótima, enquanto em 2016 esse índice era 41,8%. As rodovias pioraram na proporção da redução dos investimentos públicos federais que, no ano passado, praticamente regrediram aos níveis de 2008.

Historicamente, a precariedade das rodovias tem sido um entrave ao desenvolvimento, já que o modal rodoviário responde pelo tráfego de mais de 60% da carga e de 95% dos passageiros que transitam no país. Para reverter essa situação e consolidar a tendência de crescimento econômico observada nos últimos meses, será preciso realizar fortes investimentos em infraestrutura.

O Brasil precisa construir, duplicar e recuperar sua malha rodoviária, mas não é só isso. Para sair do atraso, é fundamental diversificar e integrar a matriz de transporte do país. Investir em portos, aeroportos, ferrovias e hidrovias — um esforço da ordem de R$ 1 trilhão, segundo estimativas do Plano CNT de Transporte e Logística.

Com demandas crescentes e recursos escassos, o poder público depende, cada vez mais, da parceria com o setor privado. Por isso é tão importante completar as reformas do Estado. Quanto mais estável e seguro o Brasil se posicionar no mercado externo, mais rápido os grandes investidores voltarão a aplicar seus recursos em nosso país.

Uma infraestrutura ampla e moderna dará impulso ao crescimento econômico, com aumento da produtividade e da competitividade das empresas. Só assim, o Brasil irá produzir mais riquezas e ampliar as oportunidades de emprego e renda para a população.

É esse círculo virtuoso que queremos alcançar. O ano de 2018 precisa ser dedicado à infraestrutura para que possamos inaugurar um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, com distribuição de renda e melhores condições de vida para todos os brasileiros.

Feliz Ano-Novo!

Clésio Andrade

Presidente da Confederação Nacional do Transporte

* Os artigos do presidente da CNT são publicados mensalmente na Revista CNT Transporte Atual​