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Estudo prevê pedágio proporcional
14/5/2010
Correio Popular (SP)

O governo do Estado estuda alterar a forma de cobrança de pedágio na Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) para o modelo adotado em países da Europa e dos Estados Unidos, em que o usuário paga apenas pelo quilômetro rodado, ao contrário do sistema atual em que a cobrança é feita por trechos.
     
Um estudo de viabilidade apontou a Bandeirantes com alto potencial para receber o sistema, ainda inédito no Brasil, por causa dos poucos acessos, restritos a municípios e outras rodovias. O usuário, ao acessar a pista, receberia um tíquete e pagaria o pedágio quando deixasse a rodovia, contribuindo apenas pelo o quilômetro rodado.
     
Ontem, durante cerimônia de entrega de obras na Via Anhanguera, em Campinas, o secretário de Estado dos Transportes, Mauro Arce, afirmou que a ideia é cobrar do usuário o quanto ele usufrui da rodovia. "Se ele (usuário) andar um centímetro, ele vai pagar um centímetro. É um pedágio de bloqueio", disse Arce.
     
Por causa disso, o secretário afastou a possibilidade de construir um acesso da Bandeirantes para a Avenida John Boyd Dunlop, próximo ao Hospital Celso Pierro, e de ligação para as regiões do Campo Grande e Ouro Verde.
     
"A Bandeirantes é uma rodovia fechada, com velocidade incompatível com o trânsito urbano", disse.
     
Mesmo cobrado por deputados da região e pelo prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), sobre o acesso, tanto o secretário quanto o governador Alberto Goldman (PSDB) se mostraram reticentes aos apelos.
     
"Não podemos misturar os tipos de trânsito. Temos de encontrar outra saída que não a solicitada", disse Arce.
 

Quilometragem
     
A Bandeirantes tem hoje oito praças de pedágio, sendo duas na Região Metropolitana de Campinas (RMC) - em Sumaré. "Se o Estado optar por esse modelo, será o mais justo", disse o presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC, Gustavo Reis (PPS) - prefeito de Jaguariúna.
     
Segundo ele, o "governo do Estado vai proporcionar um avanço nas discussões sobre cobrança e instalação de praças de pedágio" se implantar o novo modo de cobrança. "Atualmente, os sistema de cobrança é prejudicial e desproporcional ao usuário." "Esse método deveria ser estendido a todas as outras rodovias", completou, afirmando que vai levar o assunto para discussão no conselho.
     
Segundo especialistas, o que mais encarece os pedágios de São Paulo é o tipo de concessão escolhido, mesmo na nova etapa de concessão. A opção pelas concessões onerosas, em que ganha o leilão a empresa que oferecer mais ônus - uma espécie de aluguel pago ao Estado - e que depois é repassado aos usuários, deixa as tarifas de pedágio mais caras.
     
"Não se paga em outros países o valor que nós pagamos para ir de São Paulo a Santos. Onde se viu um carro de passeio pagar 17,80?", disse o representante do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e região (Setcesp) Francisco Pelucio.
     
Numa comparação, viajar de Norte a Sul no Estado da Flórida (Estados Unidos) pela Rodovia Florida's Turnpike custa US$ 21,20 em pedágios. O valor equivale a R$ 37,31, por 492,62 quilômetros percorridos. Em São Paulo, um trajeto da cidade de São José do Rio Preto à Capital custa R$ 61,50 por 440 quilômetros percorridos.
 

A FRASE
     
"É uma maneira equilibrada de fazer a cobrança de pedágio."
     
GUSTAVO REIS (PPS)
Presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC
     


Alteração em Jaguariúna é garantida
     
O governador Alberto Goldman reafirmou ontem em Campinas o compromisso do ex-governador e pré-candidato à Presidência, José Serra (PSDB), de fazer o desmembramento da praça de pedágio localizada no Km 123 da Rodovia Adhemar Pereira de Barros (SP-340), em Jaguariúna.
     
Segundo Goldman, a divisão poderá ser feita até setembro. A nova praça deverá ser construída no município de Mogi Mirim. O valor da tarifa, atualmente em R$ 7,90, deverá ser reduzido à metade.
     
Serra, dois meses antes de deixar o governo do Estado para disputar a Presidência, já havia declarado que desmembraria a praça de pedágio devido aos inúmeros apelos, tanto de prefeitos quanto da população. O valor cobrado é considerado alto em relação ao trecho percorrido - entre Campinas e Jaguariúna.
     
Um estudo foi iniciado no final de março e o secretário dos Transportes, Mauro Arce, deu o aval para a Artesp iniciar as discussões com a Renovias, concessionária da rodovia.
     
A empresa informou ontem, por meio de sua assessoria, que alternativas de local para implantação da nova praça de pedágio estão sendo discutidas com a Artesp e que um cronograma de datas deverá ser ajustado com o órgão regulador.

O prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis (PPS), informou que aguarda a divisão da praça de pedágio. "Isso vai gerar muito benefício à população local e de toda a região. Além disso, será porta de entrada para novos investimentos em Jaguariúna", disse. (VBF/AAN)

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