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A crise e o transporte

Ainda não há registro de desespero no meio produtivo brasileiro, até porque ninguém parece saber muito bem para onde a crise vai nos levar. Não há certezas, mas fato é que na atividade transportadora a crise está potencializando antigos problemas crônicos e pode causar grandes prejuízos.
Gerada nos Estados Unidos, a crise atual espalhou-se, mas na América Latina, especialmente no Brasil, até outubro ainda não causara os mesmos estragos que se viu no restante do mundo. O setor transportador brasileiro não acusou até então nenhum golpe mais forte. Contudo, o melhor conselho para o momento é conter a ousadia e manter a prudência.
Com a crise financeira e a já constatada diminuição das exportações e importações, a oferta de fretes, até hoje com demanda aquecida, deve mesmo ser afetada e sofrer retração, afetando primeiramente os transportadores autônomos, pois as empresas poderão ver-se obrigadas a usar somente a frota própria.
Ao mesmo tempo em que sugere prudência ao transportador, a CNT pede ousadia, criatividade e competência por parte do governo. Se as autoridades públicas buscam medidas para amenizar ou neutralizar os efeitos da crise nas principais atividades produtivas e no setor financeiro, para o setor transportador seria suficiente - e o momento é oportuno - que fossem consideradas as reivindicações que a Confederação há muito apresenta.
Os momentos de crises são reconhecidos também como oportunidade de se criar soluções criativas. Assim, um momento de austeridade e retração financeiras pode ser a chance de que precisamos para implementar medidas que há tempos alguns segmentos econômicos reclamam, em particular, ressalte-se, as que o transportador constantemente reivindica.
Mais do que nunca precisamos de incentivos na área fiscal e de pesados investimentos em infra-estrutura. Além disso, a adoção de medidas que favoreçam a renovação da frota também ajudaria a assegurar a manutenção de milhares de empregos e possivelmente até a abertura de novas vagas em nosso setor, afastando definitivamente o fantasma da recessão. Os programas de financiamentos do governo para a atividade transportadora sempre foram muito tímidos e incipientes. É hora de oferecer crédito barato e financiamentos especiais que permitam o incremento da atividade.
Pode parecer antagônico, num momento de séria crise financeira, sugerir cautela aos transportadores e reclamar incentivo do governo para crescer. Mas, é fato que com isso poderemos conseguir o equilíbrio necessário para contornarmos o problema sem turbulências sérias em nossa atividade, tão essencial à estabilidade econômica e social do Brasil. De nossa parte, enquanto transportadores, não há sombra de dúvida: temos braço forte capaz de sustentar com dedicação e destemor o vigor econômico do país.

CLÉSIO ANDRADE
Novembro de 2008





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