Em sua edição de 2007, a Pesquisa Rodoviária CNT indica que a eficiência do transporte rodoviário apresenta-se restringida por gargalos, dentre os quais destaca-se a baixa oferta de infra-estrutura viária de qualidade. Este problema causa expressivas dificuldades operacionais aos transportadores e demais usuários, e resulta em maiores custos e perda de competitividade do país.
A importância deste tema ressalta o papel fundamental da Pesquisa Rodoviária CNT: explicitar as condições de nossas rodovias e, mais que isso, reafirmar que os debates sobre as condições de transporte no Brasil são urgentes e inadiáveis. Talvez seja este o maior desfio: mostrar ao país a suma importância do transporte rodoviário, pois dele dependem todos os outros elos da economia nacional.
As rodovias devem ser entendidas prioritariamente como um patrimônio de todo o país. E, como para todo patrimônio, é necessário que haja um planejamento que considere sua manutenção e, neste caso específico, também sua expansão, já que a demanda por este tipo de infraestrutura de transportes é sempre crescente.
Verifica-se, contudo, que deficiências neste planejamento provocam efeitos estruturais maléficos às rodovias, tais como: longos trechos rodoviários em estado crítico, 54,5% (47.777 km) da extensão pesquisada encontram-se com o pavimento em estado regular, ruim ou péssimo, 65,4% apresentam (57.253 km) sinalização com problemas, 42,5% (37.259 km) não possuem acostamento, 39,0% (31.880 km) possuem placas com a legibilidade deteriorada.
A análise sistêmica destes resultados da Pesquisa Rodoviária CNT 2007 indica um quadro geral deficiente e, em certa medida, muito preocupante. Isto porque se percebe que modificações qualitativas favoráveis em grande escala nas condições rodoviárias demandarão um período de tempo mais longo para serem implementadas e poderem gerar benefícios ao país e à eficiência do setor.
Para a reversão deste cenário, é imprescindível a regularidade do fluxo de investimentos. E, ara que isso ocorra, faz-se necessária a aplicação integral dos recursos destinados às rodovias, sejam eles orçamentários ou suplementares, como é o caso da CIDE. De imediato, para que o sistema rodoviário atinja padrões satisfatórios de segurança e de desempenho, estima-se um volume da ordem de R$ 23,6 bilhões e, para a correta manutenção da malha, investimentos de R$ 1,34 bilhão por ano, valores superiores aos historicamente aplicados.
Vale lembrar que as melhorias desejadas para o Brasil dependem da oferta satisfatória de rodovias, que sustentam as demandas do nosso potencial de crescimento econômico e integram regiões, pessoas e o próprio país no cenário mundial.