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07/11/2018
Aprendizado constante: exigência para profissionais e para organizações

Ter habilidades atualizadas destrava oportunidades e faz parte da receita da competitividade

Foto: OpenSpace/Divulgação


​A educação formal já não supre a necessidade do nosso tempo. David Blake, empreendedor obstinado por educação, é duro na fala: “A educação está falida. Quando falamos isso, é porque houve uma grande mudança. Vivíamos em um mundo onde a informação era escassa. Agora, ela é abundante. Você pode ter tudo na palma da sua mão.” Isso, na opinião dele, não impacta somente indivíduos e sua colocação no mercado de trabalho, mas afeta, também, as organizações.

Blake é cofundador da Degreed, uma plataforma de aprendizagem organizacional que tem, entre seus clientes, nomes fortes, como Nasa e Unilever. A ferramenta possibilita a capacitação permanente dos colaboradores de forma direcionada para as habilidades que precisam ser desenvolvidas, tudo isso com a ajuda de inteligência artificial. Ele foi um dos palestrantes da HSM Expo 2018, evento que ocorre em São Paulo até esta quarta-feira (7), que conta com o patrocínio da CNT, com participação do SEST SENAT e do ITL.

Segundo ele, as consequências dessa transformação são reais e impactam diretamente a competitividade das empresas. “Informação e conhecimento já não são vantagens competitivas. O nível se elevou. Agora, trata-se sobre ter habilidades”, diz. O efeito, explica, é que há uma lacuna entre o que empregadores buscam e o que empregados oferecem. No Brasil, avalia, a situação é uma das mais graves. “Nos próximos anos, em nenhum lugar essa lacuna será mais aguda do que aqui.” 

O problema, analisa, não está somente nas características da força de trabalho, mas também nas próprias organizações. Isso porque muitas delas sequer estão certas sobre as habilidades necessárias para que garantam a competitividade de seus negócios para o futuro. “A maioria dos executivos no mundo está preocupada com o fato de a organização não ter as habilidades de que precisa e vê isso como uma ameaça ao seu negócio. Ao mesmo tempo, eles não sabem de que sua organização precisa para se adaptar e evoluir”, relata Blake. 

A forma como muitas empresas no mundo estão enfrentando esse desafio é por meio da construção de uma cultura de aprendizagem constante. “As empresas precisam dar poder aos seus funcionários para eles aprenderem. O aprendizado é melhor quando ocorre de forma coletiva.” Segundo ele, também é importante direcionar esse aprendizado ao que a empresa considera mais relevante, de forma personalizada para cada colaborador e de forma estratégica para o negócio. 

Para Blake, também não é papel da empresa dizer tudo o que o funcionário deve aprender e desenvolver. “Antigamente, a empresa dar um treinamento para todos funcionava. Mas no mundo em que a mudança está se acelerando, em vez de dizer o que o outro tem que aprender, você deve deixar transparente o que é esperado dele, construir essa cultura de aprendizado e confiar nele, para que consiga chegar ao seu propósito.” E finaliza: “ter as habilidades atualizadas é o que destrava as oportunidades. Uma vez que os funcionários fazem isso por interesse próprio, isso é uma grande mudança nas organizações”.

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Confiança e propósito

Ex-vice-presidente da Google responsável pela área de gestão de pessoas, Laszlo Bock destaca a relevância de dar confiança e propósito ao trabalho dos colaboradores para elevar engajamento e, consequentemente, resultados. Ele também esteve entre os palestrantes da HSM Expo 2018. Representantes de empresas de transporte que participam do evento tiveram, nesta quarta-feira, uma sessão privada com o executivo, para ouvir e debater ideias acerca dos desafios da gestão de pessoas em um momento de transformações exponenciais. O encontro foi promovido pela CNT.  

Para Laszlo Bock, estimular uma visão empreendedora, de modo que o colaborador execute sua atividade com percepção de valor e independência, é decisivo para que elas deem o melhor de si. “Acredito que, nos próximos anos, haverá uma divisão crescente entre dois tipos de empresas: as que não se importam e as que se importam com as pessoas. Através da ética, da ciência, da tecnologia, é possível tratar melhor as pessoas. A consequência é que você vai atrair pessoas com mais qualidade, eles vão querer chegar até você e melhorar a empresa.” 







Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias