Palavra do Presidente

Caminho sem volta*

A tecnologia sempre foi um elemento crucial para o desenvolvimento do transporte. À medida que o tempo passou e as necessidades das pessoas mudaram, os meios de transportar também evoluíram.

Os transportadores, ao longo dos séculos, precisaram se adaptar aos conhecimentos que a humanidade foi incorporando. Isso possibilitou o período das grandes navegações, o surgimento das locomotivas e ferrovias, a criação dos aviões e a ascensão dos automóveis no auge da Revolução Industrial.

Atualmente, estamos diante de uma nova revolução. Com as tecnologias cada vez mais avançadas, as formas de transporte têm sido sistematicamente modificadas. São veículos automatizados; recursos que permitem rastrear automóveis e cargas e coletar dados do tráfego; mecanismos que possibilitam estreitar distâncias no menor tempo possível e com redução de custos; aplicativos que melhoram a mobilidade e os itinerários; e novas ferramentas que propiciam mais qualidade, segurança e rapidez. Tudo isso chegou para ficar, e cabe a nós, transportadores, nos adaptarmos para seguirmos prestando um serviço de excelência à sociedade.

Estamos convictos de que se trata de um novo horizonte para o transporte, e o fator humano permanece sendo imprescindível à consolidação dessa fase de transformações. Os profissionais do setor precisam se alinhar a essa nova perspectiva. Para isso, a capacitação é um elemento-chave a fim de que a tecnologia seja uma aliada essencial para otimizar todas as formas de deslocamento. Caminhões completamente autônomos, por exemplo, já estão sendo testados. À primeira vista, pode parecer que isso minaria a presença do caminhoneiro. Nós, contudo, vislumbramos uma nova oportunidade profissional. O trabalhador, ciente da nova condição, tem de ter as habilidades necessárias para ser um gestor do seu veículo, capaz de dominar todos os aspectos tecnológicos da máquina.

Por esse motivo, a CNT, por meio do SEST SENAT, tem procurado inserir, regularmente, a tecnologia na capacitação e qualificação dos profissionais da área. Um exemplo emblemático é o uso de simuladores híbridos de direção de alta tecnologia nos cursos ofertados pela instituição – projeto de vanguarda lançado em 2016. Com isso, mostramos nossa preocupação com o aprimoramento do trabalho dos motoristas profissionais de cargas e de passageiros, de modo a aumentar a segurança no trânsito e reduzir os gastos dos transportadores. Além disso, a CNT mantém escritórios na Alemanha e na China, dois reconhecidos berços da tecnologia, que podem, sem dúvida, dar o suporte necessário para o desenvolvimento do setor.

Estamos certos de que, em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, tecnológico e em constante transformação, a demanda por profissionais qualificados aumentará substancialmente. Por isso, precisamos encarar as tecnologias inovadoras como um marco tanto para o transporte quanto para a sociedade. Elas estão aí para aperfeiçoar o planejamento e a execução do setor, gerando benefícios a todos os transportadores e à cadeia logística, e proporcionando melhorias para os setores produtivos indispensáveis à economia e ao progresso de qualquer nação.

Clésio Andrade

Presidente da Confederação Nacional do Transporte

* Os artigos do presidente da CNT são publicados mensalmente na Revista CNT Transporte Atual​