Palavra do Presidente

Otimismo moderado no transporte

O ano de 2016 foi mais um período de turbulência e dificuldades para a atividade transportadora. O setor foi fortemente impactado pela crise econômica, que esperamos já ter atingido seu auge. A instabilidade econômica e política teve papel determinante na redução dos deslocamentos, o que diminuiu a receita das empresas e forçou a redução das atividades do setor. Também tivemos mais um ciclo de aumento no custo operacional do transporte. Por esse motivo, muitos empresários foram forçados a reduzir quadros de funcionários e de veículos em operação.

Nesta edição da CNT Transporte Atual, apresentamos mais uma contribuição da Confederação para qualificar e aprimorar a visão sistêmica de um setor tão vital à economia brasileira – a Sondagem Expectativas do Transportador 2016. A partir desse levantamento, constatamos que 2016 penalizou o empresário que atua nos diferentes modais, na área de cargas e de passageiros.

Apesar das muitas dificuldades e dos inúmeros desafios a serem enfrentados, ao ouvir os transportadores, identificamos que há um moderado otimismo para os próximos anos, o que pode ser entendido como reflexo da maior confiança no novo cenário político do país. Com o atual governo, acreditamos que poderemos viver um novo momento. Estamos certos de que o presidente Michel Temer levará adiante o ajuste fiscal necessário – aprovando a proposta de limitação dos gastos públicos e realizando reformas estruturantes, como a previdenciária e a trabalhista – e buscará formas para que sejam feitos fortes investimentos em infraestrutura de transporte.

Ao tornar a infraestrutura um dos carros-chefes da economia, todos os setores só têm a ganhar. Por isso, entendemos que é imprescindível que esses investimentos, voltados para a integração dos modais, sejam, efetivamente, concretizados. Para tal, a participação da iniciativa privada, nacional e estrangeira, é fundamental para o alcance desses objetivos. Contudo, somente atrairemos capital privado permanente e de qualidade se o país oferecer segurança jurídica aos potenciais investidores e encarar de vez a agenda da desburocratização do setor.

A exemplo de outras áreas que vêm sendo seriamente afetadas pela crise econômica, o transporte está diante de um quadro de claro desaquecimento e de aumento do desemprego. Mas isso pode e deve ser revertido. Defendemos que ações de curto prazo também precisam ser tomadas com urgência para que as empresas retomem a demanda e consigam reequilibrar sua estrutura financeira.

Acreditamos que, uma vez fortalecidos, poderemos contribuir de maneira decisiva para impulsionar a retomada de crescimento do país, com aumento da eficiência logística e com mais geração de emprego. Temos convicção de que o investimento em infraestrutura de transporte se revelará um excepcional mecanismo para dar início a um novo período de prosperidade nacional, com austeridade fiscal e plena parceria com a iniciativa privada.

Clésio Andrade

Presidente da Confederação Nacional do Transporte

* Os artigos do presidente da CNT são publicados mensalmente na Revista CNT Transporte Atual​