Palavra do Presidente

Segurança para investimentos estrangeiros*

Nas últimas décadas, tornou-se consenso, no Brasil, a necessidade crônica de investimentos em infraestrutura de transporte e logística para viabilizar o escoamento competitivo de produtos. Ao longo do tempo, o país atravessou períodos de prosperidade e de crescimento econômico, mas não conseguiu avançar significativamente nessa agenda. Tal realidade decorre de uma certa incapacidade de atrair investimentos de qualidade, sobretudo do exterior.

O Brasil, se comparado com as principais economias do mundo, é o que menos investe nessa área, resultando em baixa competitividade das suas cadeias produtivas. Segundo o Banco Mundial, o país destinou, nos últimos 20 anos, uma média de 2% do PIB para obras de infraestrutura em geral. Já na China, o percentual é de 13%. Trata-se de um equívoco estratégico e histórico. Desde sempre, defendemos esse investimento maciço como um dos pilares para impulsionar o crescimento econômico e o desenvolvimento de qualquer país.

Nesse sentido, diante do atual momento de recessão e retração, a criação de um ambiente convidativo ao investimento estrangeiro em infraestrutura, a partir de uma regulamentação mais sólida, pode ter grande importância para a saída da crise. Investimentos dessa natureza, além de proporcionarem intercâmbio de tecnologias, oferecem ao país uma série de aspectos positivos, como a criação de postos de trabalho, aumento da arrecadação tributária e desenvolvimento regional.

Ciente dessa premissa, a CNT (Confederação Nacional do Transporte) mantém escritórios na China e na Alemanha, dois grandes parceiros e potenciais investidores. O primeiro demonstra inegável capacidade para aportar capital e expertise em solo brasileiro. Os germânicos, por sua vez, detêm inconteste know-how no campo tecnológico. A partir da nossa atuação nesses países, percebemos que o investidor tem, sim, vontade e disposição de realizar negócios no Brasil, o que falta, porém, é um ambiente propício para tal.

Quando falamos de investimentos, cujos projetos levam longos períodos para amadurecer e para terem um retorno efetivo, é necessário oferecer segurança jurídica e mostrar quais são os melhores e mais promissores projetos. Para isso, é preciso desburocratizar a legislação vigente. Isso traria bons resultados a todos. Na medida em que se amplia a competitividade no processo licitatório, a administração pública pode, por exemplo, determinar quais são as ações prioritárias para destinar, de maneira racional, os recursos de financiamentos. Em alguns casos, as empresas nacionais também têm acesso a novas tecnologias.

O Brasil, hoje, vive novos tempos e, para estar em conformidade com uma realidade cada vez mais globalizada, a atração de atores estrangeiros para investir nas nossas rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, sistemas de transporte e mobilidade urbana é uma questão de interesse nacional. Essa matéria ganha ainda mais relevância ao constatarmos o atual momento das empreiteiras brasileiras. Por esse motivo, entendemos que o governo deveria empreender cada vez mais esforços para estabelecer esse tipo de investimento de qualidade como uma alternativa sustentável à crise.

Clésio Andrade

Presidente da Confederação Nacional do Transporte

* Os artigos do presidente da CNT são publicados mensalmente na Revista CNT Transporte Atual​