Sest Senat oferece cursos para qualificar pessoas com deficiência para o mercado de trabalho

Além disso, a instituição prepara funcionários para receberem melhor esses profissionais e a se adequarem à legislação.

Ana Rita Gondim


Sensível às dificuldades por que passam muitas das pessoas com deficiência, o Sest Senat, instituição ligada à Confederação Nacional do Transporte (CNT), desenvolve cursos de qualificação visando o mercado de trabalho. Felipe Santos da Costa, 21 anos, procurou o curso de Rotinas Administrativas na unidade do Sest Senat de Cariacica (ES). Portador de uma doença congênita, Felipe anda de cadeira de rodas desde que nasceu. Antes da capacitação, ele realizava serviços na área de informática como autônomo, sem salário certo e sem as condições formais de trabalho.

Fotos: Divulgação/Sest Senat

“Eu quis me qualificar para buscar um bom emprego. O curso, com certeza, me ajudou bastante”, conta Felipe. Lá ele aprendeu como trabalhar em equipe, como se comportar, como funciona a hierarquia dentro de uma empresa, além de ganhar mais conhecimento em matemática, língua portuguesa, entre outras áreas do conhecimento. Felipe trabalha hoje em uma empresa de transporte rodoviário de Cariacica (ES) que havia feito uma parceria com o Sest Senat para contratar pessoas com deficiência participantes do curso. “Agora está bem melhor, recebo um salário fixo todo mês. Antes, eu não tinha certeza do que ia receber nem quanto ia receber”, revela.

No Brasil, a legislação estabelece a obrigatoriedade de as empresas com 100 ou
mais empregados preencherem uma parcela de seus cargos com pessoas com
deficiência. A reserva legal de cargos é também conhecida como Lei de Cotas
(art. 93 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991).

Ilustração: Paulo Soares


Segundo o diretor da unidade de Cariacica (ES), Eliomar Rossati, um dos propósitos ao oferecer cursos voltados para pessoas com deficiência é fazer com que as empresas obedeçam à legislação. “A ideia é oferecer trabalhadores qualificados para as empresas do setor que estavam tento muita dificuldade para conseguir atender à legislação, cumprir a cota”, explica.

A unidade já formou duas turmas do curso de Rotinas Administrativas, do qual Felipe participou, e qualificou 60 pessoas com deficiência. Em meados de outubro, foi aberta mais uma turma, com 20 vagas. Para atender cada aluno, consideradas as especificidades de cada deficiência, as turmas são pequenas de modo a não haver prejuízos no aprendizado. “Tem toda uma logística. A gente tem que se preparar para o público que a gente vai receber”, explica Eliomar. Por exemplo, no caso de um deficiente visual, é preciso fazer todo o material do curso em braile. No caso de um cadeirante, como Felipe, é necessária uma articulação com os sindicatos para conseguir um transporte de casa para a unidade e vice-versa.

Além disso, a unidade do Sest Senat de Cariacica também realiza um trabalho, gratuito, em parceria com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para a inserção ou reinserção desses profissionais no mercado de trabalho. “É muito comum termos pessoas com deficiência auditiva [sempre amparados por um tradutor de libras] fazendo curso de Operador de Empilhadeira, amputados realizando o curso de Operador de Guindastes, por exemplo”, esclarece o diretor da unidade. Segundo Eliomar, o resultado é o melhor possível. “O principal retorno que a gente consegue obter é que 100% da turma, até mesmo antes de acabar os cursos, está empregada”, declara.

Outro trabalho realizado pelas unidades do Sest Senat é o curso Transporte para Todos. Esse, diferentemente dos mencionados, é voltado para o outro lado do mercado, isto é, para as empresas e os seus funcionários sem deficiência para que eles possam receber o colega de trabalho sem discriminações e com toda a iguadade. O objetivo é, portanto, que o profissional do setor de transporte perceba a importância da sua função social e ajude as pessoas com restrição de mobilidade a serem incluídas na sociedade. Elaborado em parceria com a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, o curso, online e gratuito, pretende ainda sensibilizar e capacitar profissionais para conhecer, valorizar, receber e trabalhar com pessoas com restrição de mobilidade, como idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Ele é ofertado desde 2007 e mais de 68 mil pessoas participaram do curso.

A unidade de Cariacica (ES) adaptou o programa para o formato presencial e modificou o nome para Sentindo na Pele. A finalidade é a mesma: conscientizar empresas, alunos e jovens aprendizes a tratar as pessoas com deficiência de forma igualitária. Para isso, os funcionários do Sest Senat simulam situações do dia a dia de pessoas com cadeiras de rodas, muletas e vendas nos olhos, por exemplo. “Os participantes acabam sentindo na pele o que acontece no cotidiano dos portadores de necessidades especiais”, explica Eliomar. Dessa forma, muitas empresas atentam para as dificuldades e adaptam o local de trabalho, com a instalação de rampas, banheiros com os devidos espaços e outras exigências legais. “É muito importante porque, se você treina a pessoa com deficiência para trabalhar numa empresa, a empresa tem que estar pronta para recebê-lo. E elas precisam fazer algumas adequações e a principal delas é na cabeça dos próprios funcionários”, conta o diretor. O trabalho é realizado na unidade há dois anos e aproximadamente mil pessoas já participaram.

Felipe Santos conta que, ao entrar na empresa onde trabalha, a empresa precisou se adaptar, construiu rampas e adequou os elevadores para que ele circulasse sem impedimentos. “As pessoas me receberam com muito amor, carinho e dedicação. Foi algo novo pra eles porque quase não tinha ninguém com deficiência. É uma família aqui dentro”, conta alegre. Felipe revela que ficou animado ao realizar os cursos e pretende fazer faculdade de Administração para se especializar ainda mais na área em que trabalha e crescer profissionalmente.

Acesse a página do Sest Senat e conheça os cursos que cada unidade oferece.