Os transportadores anseiam que com a sanção da lei que cria a PNMU (Política Nacional de Mobilidade Urbana) o desafio diário de transportar pessoas e cargas aos seus destinos possa ser realizado dentro de uma política de valorização da atividade transportadora, sobretudo com mais respeito à população e aos compromissos de entrega de cargas.
Não se resolve o problema da mobilidade nos grandes centros evitando simplesmente o acesso dos caminhões de cargas.
Acessibilidade se alcança muito mais estimulando os usuários de carros de passeio a usar o transporte coletivo. A venda de veículos no Brasil vem batendo recordes. Nos últimos dez anos, a frota total mais que dobrou e a grande maioria é composta por automóveis. O intenso fluxo de veículos reduz significativamente a velocidade das vias, o maior responsável é indiscutivelmente o carro de transporte pessoal.
As diretrizes da PNMU privilegiam o transporte coletivo, pela sua importância e alcance social, criam possibilidades e definem critérios técnicos e políticos estáveis e bem avalizados para os sistemas de transporte urbano.
A criação de corredores exclusivos para ônibus tem se mostrado boa solução para o tempo do deslocamento. A construção de terminais urbanos e de plataformas logísticas podem oferecer conforto para os passageiros e capacidade operacional para a distribuição de cargas. Essas são soluções técnicas pouco complexas, mas com impacto extraordinário na qualidade do transporte e na mobilidade urbana.
O caos no trânsito e os entraves para a mobilidade e a logística urbana que toda a sociedade vive atualmente têm origem na má condução dos projetos de implantação dos sistemas de transporte, que deveriam fazer parte de políticas públicas inseridas em um contexto mais amplo do planejamento urbano.
A nova lei já é um avanço. O Congresso Nacional oferece um instrumento legislativo que promete solucionar os problemas de mobilidade que tantos transtornos têm trazido para a população e para os prestadores do serviço.
Se der certo, os municípios brasileiros serão contemplados com sistemas de transporte público eficientes. O poder público deve isso à população: o exercício pleno de seu direito de ir e vir. Os transportadores se reconhecem como essenciais e preparados para que as pessoas conquistem esse novo patamar de qualidade em suas vidas.
Senador Clésio Andrade, presidente da CNT e do Sest Senat