Maio, 2013

Os problemas de sempre

 

Os problemas de sempre

O Brasil precisa de um setor transportador dinâmico, moderno, competente e eficiente. Com o firme propósito de contribuir com o desenvolvimento do transporte brasileiro, a CNT se mantém firme na defesa dos interesses e das reivindicações dos transportadores.

A sofisticação da logística executada em um país determina a sua força de competitividade e o nível de inclusão no difícil mercado internacional. Mostra ainda a eficiência em realizar a movimentação das pessoas e a competência na distribuição de produtos para o consumo interno.

Contraditoriamente, o Brasil vem num enorme esforço em busca de melhores patamares de desenvolvimento sem, no entanto, resolver efetivamente seus problemas crônicos de infraestrutura de transporte, limitando nossa capacidade de transportar e aumentando o “Custo Brasil”.

Permanecem o péssimo estado de conservação das rodovias, os gargalos portuários, as limitações aeroportuárias, os impasses no setor ferroviário, o subaproveitamento das hidrovias, enfim, a falta de investimentos que reconfigurem nossa infraestrutura.

Com a iminência dos eventos esportivos (Copa e Olimpíada), o governo vem sendo alvo de reivindicações mais diretas no que se refere ao transporte de passageiros, tanto dos organizadores quanto da sociedade, por melhores aeroportos, rodovias e mais infraestrutura urbana. Porém, o que nos preocupa é que desde o anúncio do Brasil como sede pouca coisa foi feita de fato. Continuamos a ver os aeroportos saturados com o fluxo intenso de passageiros, carência de terminais de carga e de atualização tecnológica.

Os recentes congestionamentos nos principais portos revelam o gargalo de sempre com a limitação para o escoamento da safra. Há mais de duas décadas não sai da pauta da CNT a luta pela ampliação de cais, melhores acessos aos portos e dragagem para aumento de calado. Nossos portos estão sendo superados pelo aumento das exportações.

Não se trata de culpar sucessivos governos que não desataram o nó da burocracia estatal ou que não tiveram o empenho político de viabilizar os projetos necessários, mas exigir que o país busque o melhor de seus esforços para construir a infraestrutura necessária. Os transportadores jamais retiraram de sua agenda a reivindicação da sonhada infraestrutura de transporte, simplesmente porque o Brasil ainda está muito distante dela.

O poder público de um país como o Brasil tem sua competência, portanto, há avanços. Os sucessivos governos, especialmente na última década, têm apresentado planos interessantes,  e registramos maiores investimentos diretos da União, mas ainda insuficientes e sem o efeito necessário e desejado. Precisamos do aporte financeiro capaz de executar projetos qualificados. Isso ainda não vimos.

Há urgência, o Brasil tem pressa, tudo deve ser feito antes que nossa produção não consiga mais chegar ao destino, mais contratos sejam cancelados e verdadeiramente tenhamos um apagão de infraestrutura.

 

Clésio Andrade

Senador Clésio Andrade, presidente da CNT e do Sest Senat​

 

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