14/03/2012

Para a ANP, Chevron ainda não está apta a operar

A investigação estava em curso desde outubro de 2011 e todo o processo pode estar concluído em dois meses.

 

O relatório de investigação sobre o acidente ocorrido no ano passado no campo de Frade, na bacia de Campos, sob operação da companhia de petróleo americana Chevron, já foi concluído e está em fase de revisão de texto, afirmou a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. A investigação estava em curso desde outubro de 2011 e todo o processo pode estar concluído em dois meses.


Segundo a diretora, a ANP não acredita que a companhia já esteja apta a voltar a perfurar no país. "A legislação de segurança prevê que o operador tem que ser capaz de identificar as causas do acidente, apresentar as medidas a serem tomadas para mitigar o acidente e evitar que se repita", disse Magda. "O material que temos da Chevron não permite concluir que a empresa está apta.


Assim que o texto estiver concluído, a Chevron será autuada e terá direito de defesa. Os três procedimentos administrativos de autuação que a companhia já recebeu da ANP estarão incluídos no texto. "Ninguém pode negar que é uma das principais empresas de petróleo do mundo, mas ninguém pode dizer o mesmo da Chevron no Brasil", disse. Segundo Magda, o país quer os investimentos, mas não a qualquer custo.


Na avaliação da diretora-geral, o núcleo de segurança operacional offshore da instituição, que hoje abriga uma equipe de dez pessoas, precisa ser dobrada. O núcleo está dentro da coordenação de segurança operacional. Ela pediu a abertura de um concurso público para a contratação de 152 pessoas para trabalhar na agência reguladora e não descarta que consiga a aprovação para este ano. De acordo com ela, metade deste montante deverá ser alocada em fiscalização.


Segundo Magda, a área de análise de combustíveis é uma das mais complicadas para a fiscalização. De acordo com ela, por volta de 2002 e 2003, as irregularidades eram encontradas em 15% das análises feitas. Hoje, é por volta de 2%. "Atualmente, temos um padrão de qualidade igual ao do Primeiro Mundo", disse.​

 

Fonte: Valor Econômico