16/03/2012 | Eventos

Colômbia quer tirar 100 mil caminhões velhos de circulação em dez anos

Dos veículos levados para a reciclagem, os colombianos conseguem recuperar entre 40% a 50% de seus componentes.

Foto: Júlio Fernandes/Agência Full Time Colômbia quer tirar 100 mil caminhões velhos de circulação em dez anos

O atual Plano de Renovação de Frota da Colômbia, especificamente voltado aos veículos de carga, pretende tirar de circulação 100 mil caminhões velhos nos próximos dez anos, o equivalente a quase 50% da frota nacional. A meta é desafiadora porque nos últimos quatros anos foram renovados apenas oito mil veículos.

De acordo com o assessor da Diretoria Setorial Sustentável do Ministério do Meio Ambiente da Colômbia, Alexander Valencia, o governo está atento à necessidade de renovação porque, no caso dos caminhões, por exemplo, 30% da frota tem mais de 30 anos e 50% tem mais de 20 anos.

Na atual formatação do plano, o proprietário vende o caminhão antigo à concessionária, que o desintegra e recicla entre 40% a 50% dos componentes. Mas Valencia admitiu que a taxa de recuperação ainda é pequena – no Japão, por exemplo, é de 95%. Ele foi um dos palestrantes do II Seminário Internacional sobre Reciclagem de Veículos e Renovação de Frota da Confederação Nacional do Transporte (CNT), realizado nessa quinta-feira (15).

O colombiano destacou que o Plano Nacional de Desenvolvimento, lançado em 2010, estabeleceu a criação de um Fundo de Renovação de Veículos de Carga. “Por lei, o país tem que buscar recursos para renovar essa frota, desenvolver o setor empresarial e modernizar os veículos”, explicou Valencia.

O projeto de renovação da frota colombiana também abrange o transporte coletivo. Implantado há dez anos na capital Bogotá, o Transmilênio é o principal responsável por essa mudança. O sistema é baseado em ônibus de trânsito rápido que circulam por faixas exclusivas. Com mais de um milhão e meio de viagens diárias, ele já retirou das ruas aproximadamente seis mil ônibus. A meta é chegar a nove mil.

Créditos de carbono
Por causa dos ônibus que retira de circulação, o Transmilênio traz benefícios ao meio ambiente como a redução da emissão de poluentes na atmosfera. Como recompensa, recebe recursos financeiros adicionais, os chamados créditos de carbono. Esses certificados também podem ser negociados no mercado internacional com países que são grandes emissores de gases do efeito estufa.

Após um período de sete anos, tempo exigido para que os créditos comecem a ser pagos, o sistema deve receber o equivalente a US$ 160 milhões. O valor se refere à redução da emissão de gases do efeito estufa desde 2006, quando o Transmilênio ingressou nesse mercado. De acordo com Valencia, cada tonelada de gás carbônico não emitida vale US$ 10.

Menos acidentes
Também participaram dos debates o diretor de Eco-urbanismo da Secretaria de Meio Ambiente de Bogotá, Germán Alvarez, e a consultora independente em Meio Ambiente Lida Giraldo. Alvarez destacou outra vantagem trazida pela renovação da frota de ônibus da capital colombiana: o índice de acidentes no transporte público diminuiu mais de 60%.

Lida pontuou que todos os países precisam pensar em políticas que priorizem a mobilidade e garantam o deslocamento das pessoas a qualquer lugar. “Esse planejamento é muito importante para garantir qualidade de vida a todas as camadas sociais, além de termos um sistema mais eficiente de transporte e que consuma menos tempo de quem precisa utilizá-lo”, disse.


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Rosalvo Streit

Agência CNT de Notícias

 

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Publicação da Confederação Nacional do Transporte (CNT), instituição presidida pelo senador Clésio Andrade (PMDB/MG).