03/01/2012 | Transporte aquaviário

Tecnologia reduz poluição causada por navios de grande porte

Pesquisador da USP aponta alternativas que podem contribuir com o desenvolvimento sustentável do setor marítimo.

Foto: Arquivo/Appa Tecnologia reduz poluição causada por navios de grande porte

O transporte marítimo é um dos modais que apresenta menor custo por tonelada transportada. Como têm essa vantagem competitiva, os navios de grande porte são muito procurados, movimentam um número elevado de cargas e consomem grande quantidade de combustível – um óleo ‘pesado’, mais poluente que o diesel. Mas pesquisas recentes apontam que, com o uso de tecnologia, há alternativas para diminuir o impacto ambiental causado por essa atividade.

Um dos últimos estudos sobre o tema – Avaliação das instalações de máquinas em navios visando redução do uso de combustível fóssil – foi desenvolvido pelo engenheiro naval Gilberto Doria do Valle Filho, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Em dezembro passado, após dois anos de pesquisa, ele apresentou uma tese de mestrado em que aponta possíveis soluções para o problema da poluição causada pelo transporte marítimo.

“O trabalho englobou duas questões principais: a redução do uso de combustíveis fósseis e a melhoria do rendimento do modal marítimo”, explica Doria à Agência CNT de Notícias. Segundo ele, mesmo com a descoberta de mais poços de petróleo nos últimos anos, os recursos originados dessa exploração devem servir para financiar pesquisas que busquem soluções sustentáveis ao problema dos danos ao meio ambiente.

Doria enumerou quatro alternativas que podem proporcionar o emprego de energia limpa e mais eficiente: células de combustível, energia eólica, solar e sistemas híbridos. A médio prazo, o primeiro item, destaca o pesquisador, desponta como a melhor opção. “Nas células de combustível, o produto que seria queimado é convertido em energia elétrica usada para alimentar o sistema. O rendimento é até 50% maior”, explica.

Sobre a energia eólica, o estudo aponta a redução de até 30% no consumo de óleo, a partir do uso de modernas pipas projetadas para o uso em rotas com ventos favoráveis. “No caso dos navios, essa fonte ajuda na propulsão, o que diminuiu a utilização de outro combustível”, pontua o pesquisador.

Em relação à energia solar, apesar de ser o recurso mais abundante, Doria adverte que o rendimento proporcionado ao transporte marítimo ainda é baixo. “O desenvolvimento futuro vai trazer novas tecnologias e melhorar esse quadro”, explica. Por último, o sistema híbrido corresponde à combinação das outras três fontes de energia.

Custo
Sobre a possibilidade de essas novas tecnologias tornarem mais caras as operações realizadas pelos navios, Doria acredita que tudo será feito à medida que as empresas constatarem que o retorno financeiro é garantido. “Os projetos serão colocados em prática, principalmente, quando se tornarem economicamente viáveis. Essa é uma das conclusões do meu trabalho”, frisa.

Rosalvo Streit

Agência CNT de Notícias

 

Comentar esta reportagem

Os textos veiculados pela Agência CNT de Notícias podem ser reproduzidos desde que a fonte seja citada. O conteúdo está licenciado sob a CC-by-sa-2.5, exceto quando especificado em contrário e nos conteúdos replicados de outras fontes. 

Publicação da Confederação Nacional do Transporte (CNT), instituição presidida pelo senador Clésio Andrade (PMDB/MG).