15/12/2011 | Transporte ferroviário

Capital privado investe 18,5 vezes mais que a União no setor ferroviário

Responsáveis pelo escoamento de 20% da produção nacional, ferrovias despontam como alternativa de transporte eficiente e seguro.

Foto: Júlio Fernandes/Agência Full Time Rodrigo Vilaça e Bruno Batista durante a coletiva Rodrigo Vilaça e Bruno Batista durante a coletiva

Entre 1997 e 2010, as concessionárias privadas investiram R$ 24 bilhões no setor ferroviário, enquanto o valor aplicado pela União - R$ 1,3 bilhão – foi mais de dezoito vezes menor, no mesmo período. Os dados são da Pesquisa CNT de Ferrovias 2011, divulgada nesta quinta-feira (15), na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília.

De 2009 para 2010, o investimento das concessionárias cresceu 17,7%, e o realizado pelo governo federal apresentou queda de 8,6%. Segundo o levantamento, as concessionárias investiram em melhoria das vias, aumento da segurança, aquisição de locomotivas e vagões, além da recuperação da frota sucateada – herdada do processo de concessão, ocorrido entre 1996 e 1998.

“Com mais eficiência da gestão, a iniciativa privada pode proporcionar ações que trouxeram maior competitividade e modernização do sistema e da forma como atuamos”, explicou o presidente da seção de transporte ferroviário da CNT e presidente executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

Responsável por 20% do escoamento da produção nacional, a quantidade de carga transportada pelo modal ferroviário aumenta, a cada ano, a sua participação no transporte de cargas. De 2006 para 2010, o crescimento foi de 16,3% - de 404,2 milhões de toneladas úteis (TUs) para 470,1 milhões de TUs. Em 2010, o minério de ferro foi o principal produto movimentado – 71% do total -, seguido por produtos agrícolas como soja, açúcar e milho.

O estudo da CNT destaca que o modal ferroviário, além de ser menos poluente, tem outro ponto positivo relevante: é mais seguro. O número de acidentes nas estradas de ferro diminui desde o início das concessões. Em 1997, o índice médio de acidentes, a cada um milhão de quilômetros percorridos, foi de 75,5 - em 2010, o número chegou a 16. De acordo com os padrões internacionais, o índice razoável varia de oito a 13 acidentes, a cada um milhão de quilômetros.

Essas melhorias são resultado, destacou Vilaça, do “pleno processo de recuperação das ferrovias, com melhores perspectivas, fruto do diálogo com os usuários, embarcadores e o poder público, no sentido de transformar a matriz de transporte brasileira”. Ele pontuou que, para o pleno desenvolvimento do país, o sistema ferroviário precisa atingir, no mínimo, 52 mil quilômetros de extensão.

Gargalos
Apesar dos avanços em quesitos como movimentação de cargas, aumento de investimentos e redução do número de acidentes, o modal ferroviário ainda enfrenta dificuldades que limitam o seu desempenho. Uma dos mais graves é a invasão das faixas de domínio, ou seja, existem trechos da malha ferroviária totalmente cercados por construções.

Essa ocupação, identificada em 355 pontos da malha dos 13 corredores, causa prejuízos ao sistema, obriga os trens a reduzir a velocidade – em alguns casos, de 40km/h para 5 km/h - e a gastar mais combustível, além da maior vulnerabilidade à ocorrência de acidentes e roubo de cargas. Para corrigir o problema, a pesquisa calcula que, entre aquisição de terrenos e outras benfeitorias, sejam necessários R$ 70,3 milhões.

O diretor executivo da CNT, Bruno Batista, apontou soluções possíveis. Disse que é preciso viabilizar a alienação de imóveis não-operacionais da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), proporcionar a remoção da população que vive às margens dos trilhos e incentivar parcerias entre a Secretaria Especial de Portos (SEP), Ministério das Cidades, prefeituras e concessionárias. “Esse problema acontece principalmente na chegada dos portos e grandes cidades. É preciso tratá-lo institucionalmente, de uma forma múltilpa”, frisou.

Pesquisa
A avaliação da CNT resultou na classificação dos 13 principais corredores ferroviários do país, onde a movimentação de cargas é mais representativa. O estudo foi dividido em duas etapas: na primeira, foram avaliados os aspectos operacionais de cada ferrovia e, na segunda, foi analisada a percepção dos clientes sobre os serviços prestados pelas concessionárias.

Confira a pesquisa na íntegra, um resumo com os principais dados e fotos de ferrovias e trens na página da Pesquisa CNT de Ferrovias.

 

Rosalvo Streit

Agência CNT de Notícias

 

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Publicação da Confederação Nacional do Transporte (CNT), instituição presidida pelo senador Clésio Andrade (PMDB/MG).