20/02/2015

Para PRF, apesar da queda, número de mortes nas rodovias no Carnaval é elevado

Chefe da divisão de operações da Polícia Rodoviária Federal, inspetor Stênio Pires, fala sobre ações desenvolvidas durante o feriado

 

Foto: Elza Fiúza/ABr Para PRF, apesar da queda, número de mortes nas rodovias no Carnaval é elevado

​Em números absolutos, o feriado de Carnaval de 2015 teve o menor índice de mortes em rodovias federais dos últimos oito anos. Ao todo, 120 pessoas perderam a vida em acidentes nas BRs, segundo balanço da Operação Carnaval, desenvolvida pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) entre os dias 13 e 18 de fevereiro. Isso representa uma queda de aproximadamente 24% se comparado a 2014. O total de colisões e de acidentes também caiu, 18% e 15%, respectivamente.

A Polícia Rodoviária Federal destaca a redução, atribuída a uma estratégia de fiscalização que prioriza regiões mais críticas e que é desenvolvida em parceria com outros órgãos públicos. Porém, o chefe da Divisão de Operações da PRF, inspetor Stênio Pires, diz que o número é elevado e que o desafio é reduzir ainda mais as estatísticas.

Veja os principais trechos da entrevista concedida por ele sobre os resultados da Operação Carnaval:

As estatísticas de acidentes, feridos e mortos nas rodovias federais no Carnaval 2015 apresentaram redução. A que a PRF atribui esses resultados?

A adoção de uma estratégia de fiscalização focada nos pontos mais críticos e com maior número de ocorrências, além da cooperação com outros órgãos, como as polícias militares, cada um na sua área de atuação. Esse é o objetivo da Operação Rodovida [ação integrada que reúne diversos órgãos públicos, da qual a Operação Carnaval faz parte], que é bem ampla, voltada à fiscalização mais abrangente e na melhoria da legislação. As mudanças que ocorreram nos últimos quatro anos, como o agravamento da punição por embriaguez ao volante, excesso de velocidade e ultrapassagens irregulares, têm colaborado muito na redução dessas mortes. Mas 120 é um número elevado e o desafio é reduzir essa estatística ainda mais. E isso depende, além de ações de fiscalização, dos próprios motoristas, que estejam mais conscientes do seu comportamento no trânsito.

Minas Gerais lidera no total de mortes, com um total de 14 somente no feriado deste ano. Por que isso ocorre?

Tivemos uma grande redução, de 2014 para este ano, no índice de mortes em relação à frota de veículos, de 47%. Mas, o estado de Minas Gerais tem a maior malha federal fiscalizada pela PRF. É um corredor para acesso a outros estados, o que faz muitas pessoas transitarem por lá. Tem uma economia forte e uma grande frota de veículos. Isso faz com que Minas tenha o maior número de registro de acidentes e mortes nas rodovias federais.

O predomínio de rodovias de pista simples na malha nacional favorece essas estatísticas elevadas?

O comportamento do cidadão é o principal fator. Porque, em muitas situações, os acidentes ocorrem em pistas de baixo fluxo de veículos. A gente orienta as pessoas para que tenham paciência. Muitas vezes estão apressadas, querem ultrapassar o caminhão que está à frente. Se você observar no tempo total da viagem, se o cidadão ganhar cinco, dez minutos, é muito. Por conta dessa pequena redução, ele pode perder a vida.

Quais as principais causas de acidentes identificadas pela corporação? O Carnaval tem alguma particularidade se comparado a outros feriados do ano?

A imprudência ainda ocasiona 95% dos acidentes, principalmente em ultrapassagens indevidas e com excesso de velocidade. Quando existem esses dois fatores combinados, com certeza o acidente é grave e, muitas vezes, com vítimas fatais. Neste ano, novamente, quase metade das mortes no Carnaval foi ocasionada por ultrapassagens e colisões frontais. A colisão frontal não é o principal tipo de acidente, mas o que mais causa mortes. Em uma ultrapassagem forçada ou em local proibido, a pessoa acha que pode ultrapassar, mas não consegue concluir a manobra.

O que muda de um feriado para outro diz respeito apenas aos centros regionais que merecem uma ação fiscalizatória diferenciada, já que há localidades que são mais atrativas em cada período. No Carnaval, a Bahia e o Rio de Janeiro recebem o maior fluxo. Na Páscoa, nós temos São Paulo, por causa de Aparecida, e algumas regiões do Nordeste, a exemplo de Pernambuco, com Nova Jerusalém.  De acordo com essas características, preparamos nossas ações.

 

Natália Pianegonda

Agência CNT de Notícias

 

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