23/07/2014

Embaixador Sérgio Amaral fala sobre resultados e perspectivas de parcerias entre Brasil e China

Presidente da seção brasileira no CEBC (Conselho Empresarial Brasil China) diz que transporte e agronegócio são prioridades.

 

Foto: Frame Produções Embaixador Sérgio Amaral fala sobre resultados e perspectivas de parcerias entre Brasil e China Embaixador Sérgio Amaral

O contato entre empresários brasileiros e chineses, realizado entre os dias 17 e 18 de julho em Brasília, deixou expectativas positivas de novas parcerias com benefícios bilaterais. O encontro foi promovido pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil China).

Na ocasião, a CNT (Confederação Nacional do Transporte), membro do Conselho, foi uma das instituições que destacou as oportunidades e perspectivas positivas da reunião de empresas do Brasil e da China para viabilizar investimentos na infraestrutura de transportes. A expectativa é que os modelos desenvolvidos pelos chineses, caracterizados pela eficiência e baixo custo, possam ser adaptados e implementados por aqui.

Os benefícios seriam mútuos. Além da modernização da infraestrutura logística nacional, a China reduziria custos de importação. Isso porque, dos produtos exportados pelo Brasil para o país, 85,1% são commodities, como soja e minério de ferro, que precisam ser transportados do interior do país para os portos onde são carregados em navios.

Mas ainda há alguns desafios a serem superados para ampliar e diversificar os investimentos em áreas relevantes.

Os resultados do encontro e os desafios futuros foram temas abordados pelo presidente da seção brasileira no CEBC e consultor do Escritório Avançado da CNT na China, embaixador Sérgio Amaral, em entrevista à Agência CNT de Notícias.

As relações comerciais entre Brasil e China se fortaleceram nos últimos dez anos, especialmente no setor do agronegócio. O senhor acredita que atualmente temos um cenário mais favorável para viabilizar parcerias especialmente em infraestrutura e com mais efetividade?

Eu acho que sim. Hoje existe uma crescente percepção, na China e aqui, que o futuro dessas relações é muito promissor e, sobretudo, que há muitos negócios para fazer.

O que ainda é necessário para garantir que os investimentos ocorram? Especialmente na infraestrutura de transportes?

Eu acho que a abertura pela CNT do seu escritório na China será um ponto de partida muito importante, porque há um grande interesse das empresas chinesas por este setor no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, existe um grande desconhecimento. O escritório poderá suprir essas informações e organizar encontros, o que será fundamental.

O transporte é um setor importante para ao agronegócio, que é um dos segmentos mais fortes na relação do comércio com a China...

Os dois vão juntos. Eu acho que o agronegócio necessita da logística e a logística sem ter o que transportar não serve para nada. É por isso que os dois têm que ir juntos e, por isso, o Conselho Empresarial colocou esses dois setores como prioritários das relações Brasil-China nos próximos anos.

Durante o seminário, alguns empresários chineses manifestaram certa insatisfação sobre a dificuldade que existe, aqui no Brasil de tornar os investimentos efetivos. Foram pontuados, por exemplo, projetos que já são conhecidos há muitos anos, mas que ainda não saíram plenamente do papel, como a Ferrovia Norte-Sul. A partir de agora temos mais condições de tornar tudo concreto? De que maneira?

Eu não tenho dúvida, porque hoje nós temos um foco, sabemos quais são as prioridades. Vimos, durante o seminário empresarial, que existe uma demanda enorme por investimentos em transporte. Se você pensa que o custo da logística para a exportação de milho para a China é 120% o custo de produção do próprio milho, percebe-se que é um despropósito. Se não avançarmos rápido e substancialmente na questão da logística vamos perder a competitividade dos nossos produtores agrícolas.

No setor de infraestrutura logística, o governo brasileiro destacou que os investimentos em ferrovias são prioridade. A partir disso, qual o retorno dos empresários chineses?

Eles estão muito interessados. Vieram em grande número e em qualidade. Porque as grandes empresas do setor ferroviário chinês estão aqui, interessadas nesses novos projetos de ferrovias, via manifestação de interesses e que vão ser abertos pelo Ministério dos Transportes. Evidentemente isso é um processo, mas está começando com muita força. O setor de transportes é, sem dúvida, um dos mais promissores da relação empresarial Brasil-China.

E o setor ferroviário é o mais atrativo para a China?

É o mais atrativo porque não se trata apenas das empresas que constroem ferrovias e que serão parceiras das construtoras brasileiras, mas também porque atrás delas vem um grande número de empresas fornecedoras de equipamentos e de tecnologias, que também poderão se associar a empresas brasileiras. Agora o trabalho maior é fazer o seguimento disso, colocar as empresas juntas para que possam discutir seu interesse em formar parcerias.
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Natália Pianegonda

Agência CNT de Notícias

 

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