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13/02/2017
Jovens gestores levam profissionalização a empresas familiares de transporte

Profissionais que assumem cargos estratégicos podem melhorar resultados do negócio, aliando capacitação à experiência de quem está há mais tempo no ramo

Foto: Divulgação


Empresas do transporte rodoviário de cargas - setor com forte tradição familiar no Brasil - fundadas pelos avôs ou pais começam a chegar nas mãos dos filhos. Alguns assumem a gestão dos negócios ou de algum departamento da organização ainda jovens. Apesar disso, já preparados para assumir postos estratégicos e planejar o desenvolvimento da empresa.

Com mais qualificação teórica e conhecimento das mais modernas técnicas de gestão e tecnologias, esses jovens gestores têm um preparo adicional se comparado aos que os antecederam. O efeito mais positivo disso é que o segmento caminha na direção de serviços cada vez mais profissionais e de qualidade, na avaliação da coordenadora da ComJovem Nacional (Comissão de Jovens Empresários e Executivos), Ana Carolina Jarrouge. “Daqui a cinco, dez anos, vamos ter um segmento totalmente diferente do que temos hoje”, aposta.

Segundo Ana Carolina, a formação especializada tem profissionalizado a gestão das empresas. Isso permite aumentar a eficiência e o conhecimento para enfrentar aspectos legais e burocráticos. Além disso, adotar posturas que ajudam a garantir a sobrevivência da empresa, já que, preocupados com custos, os mais jovens sabem até que ponto ir na negociação de um serviço. “É um tipo de mentalidade que está entrando e é muito saudável para o setor. O empresário antigamente não tinha essa visão, do que dá e do que não dá para fazer. Não dá para colocar um frete que, além de cobrir o custo, não tenha rentabilidade”, complementa a coordenadora da ComJovem.

É por isso, ressalta ela, que o transporte rodoviário de cargas deve viver uma mudança significativa na próxima década, com ganho de qualidade, segurança, eficiência e eficácia. E os benefícios não serão percebidos somente por empresa e cliente, mas por toda a sociedade. 

A aposta em inovação é outro aspecto que ganha destaque com novos profissionais em cargos diretivos. “A curiosidade do jovem é mais aguçada com relação à inovação e ao uso da tecnologia. Ele vai mais fundo tirar tudo o que se pode imaginar em conseguir resultados de um modelo de gestão mais profissionalizada.”

Outra característica desse perfil profissional é a vontade de implementar mudanças para alcançar os resultados desejados. Mas, as empresas podem perceber vantagens e desvantagens nesse ponto: a impulsividade, por vezes, é prejudicial. “O gestor jovem tem que pensar que, às vezes, é muito impulsivo. Não tem o timming certo para fazer a coisa, não espera. O tempo ajuda a amadurecer as ideias”, analisa. Assim, a convivência e o aprendizado com quem está no setor há mais tempo é fundamental. Saber aliar a experiência prática com os conhecimentos teóricos gera ganhos para qualquer organização.

Nas empresas familiares, Ana Carolina destaca a importância de um período de transição, de modo que o jovem compreenda o funcionamento do negócio em todas as frentes, antes de alçar postos maiores. Ela própria viveu essa experiência na empresa fundada pelo pai, a Ajofer, de Santo André (SP): começou aos 15 anos e passou por atividades de escritório, mecânica, almoxarifado, carga e descarga, atendimento, até assumir gerências, como na área de recursos humanos e na administrativa. “Eu conheço desde a base da transportadora. É importante ouvir o motorista, saber o que eles têm a dizer, porque são eles que estão na rua. Vivenciar tudo é muito importante.”

Isso, é claro, quando filhos têm interesse em seguir os passos dos genitores. Segundo Ana Carolina, é fundamental que a sucessão familiar dessas organizações ocorra de forma saudável. Assim, os pais podem estimular a nova geração no interesse pelos negócios. Da parte dos mais novos, se a vocação for outra, melhor trilhar o próprio caminho. Mas, se houver interesse pelo trabalho, a dedicação à empresa da família tende a render ótimos resultados. 

Ouça Ana Carolina Jarrouge.

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Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias