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13/03/2017
Jovens lideranças devem inovar gestão na aviação civil

Diretor de Planejamento de Malha na Azul fala sobre desafios dos mais novos gestores no modal aéreo em temas como inovação e formação profissional

Foto: Divulgação/Azul


Lá se vão oitos anos que Daniel Tcakz está à frente do Planejamento de Malha da Azul Linhas Aéreas. O executivo chegou à empresa como gerente, no início das operações da aérea no Brasil; desde o ano passado, ele é diretor. Assim, aos 35 anos, Daniel já completa quase uma década à frente dessa área estratégica para a companhia, que detém, atualmente, a maior malha aérea do país.

À Agência CNT de Notícias, o personagem desta semana da série Futuro do Transporte diz acreditar que os jovens líderes serão responsáveis por implantar uma gestão mais moderna na aviação civil brasileira. Mas, para isso, deverão estar atentos à inovação e vencer o desafio da capacitação profissional especializada para o setor, ainda insuficiente no país.

Formado em Administração de Empresas pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), com MBA em Gestão de Negócios pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e especialização em Gestão de Negócios pela FDC (Fundação Dom Cabral), Daniel começou na aviação como estagiário da Gol. Na companhia, ascendeu ao cargo de analista sênior de Planejamento de Malha. Quando foi contratado pela Azul começaram os desafios em um cargo de liderança. Ele tinha menos de 30 anos e conta que os recebeu com satisfação e motivação. “A empresa tem grande relevância no mercado brasileiro e tem conseguido se destacar nesse cenário, justamente pelas características de sua malha aérea tão abrangente. É muito recompensador fazer parte de tudo isso”, avalia.

Daniel afirma que foi com naturalidade que encarou as novas responsabilidades, devido à experiência que já acumulava na área. Entretanto, o ritmo das transformações tecnológicas constitui, na opinião dele, um desafio adicional para quem está no setor aéreo. Em sua atividade, ressalta que inovação é uma preocupação diária, seja nos processos, seja na definição de rotas e mercados a serem atendidos. “O planejamento de malha interage com quase toda a empresa. Sendo assim, é necessário um processo de inovação contínua para atender a todas as mudanças que ocorrem no ambiente da aviação”, explica.  

E há, também, a exigência que existe sobre qualquer gestor: gerar resultados para a organização. No caso dele, “o maior desafio é criar uma malha lucrativa para a empresa e, ao mesmo tempo, mais próxima possível da perfeição, do ponto de vista operacional”.


Formação especializada


Daniel acredita que, gradualmente, os mais jovens liderarão uma mudança na gestão da aviação civil. “Apesar de toda a necessidade de controles, padrões de operação e segurança bem estabelecidos, acredito que exista espaço para um novo modelo de gestão dentro de nossa indústria. Essa adaptação para uma gestão mais moderna é uma necessidade para continuarmos a atrair novos talentos à nossa indústria”.

O problema é que o Brasil ainda não forma profissionais altamente especializados que possam atender a essas demandas, já que a oferta de cursos específicos é pequena e o desenvolvimento é lento. Nos casos em que há capacitação, o investimento é alto, uma barreira à inserção de mais pessoal qualificado no setor.

Isso, avalia o diretor da Azul, amplia a responsabilidade dos gestores no desenvolvimento dos colaboradores e destaca a própria experiência, na liderança de uma equipe formada por 15 pessoas: “Não existe uma formação que ensine as peculiaridades do Planejamento de Malha. Essa é uma atividade muito específica e direcionada ao que cada companhia faz. Existem os processos, as regulamentações que devem ser obedecidas. É bastante difícil entrar nesse ambiente e se desenvolver. É preciso ser muito atento aos detalhes”.

Para além dos departamentos e das estratégias empresariais, Daniel considera que o recrutamento de bons profissionais é uma preocupação de todo o setor aéreo no Brasil e que as empresas devem encontrar maneiras de se manter atrativas na captação de novos talentos (seja pela remuneração, seja na oferta de planos de carreira atrativos para jovens profissionais). Além disso, ele defende que é necessário ampliar a interação entre empresas e universidades para criação de programas específicos de formação de novos profissionais.

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Natália Pianegonda
Agência CNT de Notícias