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06/09/2017
Investimentos a fundo perdido são congelados por dez anos

Projetos de mobilidade com financiamentos de longo prazo e sem perspectiva imediata de reembolso estão suspensos; Refrota pode ser afetado

Foto: Divulgação/NTU

José Roberto Generoso falou sobre financiamento de projetos de mobilidade em evento da NTU
José Roberto Generoso falou sobre financiamento de projetos de mobilidade em evento da NTU
Os projetos de mobilidade urbana que dependem de investimentos a fundo perdido (créditos de longo prazo disponibilizados pelo governo sem perspectivas imediatas de reembolso) estão congelados por dez anos. A declaração foi dada pelo Secretário Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, José Roberto Generoso, durante o Seminário Nacional NTU 2017, promovido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Esse tipo de recurso geralmente é concedido para projetos de cunho social, como obras de infraestrutura, saneamento básico e construção de moradias populares.    

Um dos projetos de mobilidade que podem ser afetados com a medida é o Refrota, programa com recursos de R$ 3 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), para substituição de ônibus urbanos com juros mais baixos. O motivo foi uma alteração nas regras que regem o financiamento feito pela CEF (Caixa Econômica Federal). A solução para o atual momento econômico, segundo Generoso, é criar condições e projetos melhores. “Precisamos acabar com essa onda de maus projetos. Com projetos bem estruturados o custo será menor", afirmou. 

Generoso também defendeu que a operação de transporte público tem que ser feita pelo setor privado. "A realidade hoje é que o governo federal não é capaz de cumprir a promessa de tratar o transporte coletivo como prioridade", admitiu. O especialista em planejamento da mobilidade urbana e meio ambiente, Renato Boareto, ressaltou que os serviços de mobilidade devem ser considerados como essenciais e precisam estar na agenda de prioridades do governo. “O papel do Estado deve ser o pano de fundo dessas ações. É o que ocorre em todos os países com sistema de transporte público estruturado”, concluiu.  






Evie Gonçalves
Agência CNT de Notícias