Notícias

17/03/2017
Melhora na perspectiva para nota de risco do Brasil pode impulsionar investimentos

Declaração da agência Moody’s gera boa sinalização para o mercado; isso favorece atração de participantes para licitações de infraestrutura de transporte, avalia CNT

Foto: Imagem: Divulgação


A melhora na perspectiva para a nota de risco soberano do Brasil – de negativa para estável – gera uma sinalização positiva ao mercado e pode favorecer a atração de investimentos para o país. A elevação foi anunciada pela agência de classificação de risco Moody’s (uma das três mais tradicionais do mundo) na última quarta-feira (15). Ela indica que o Brasil não deve sofrer novo rebaixamento nas próximas revisões da agência

Para a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a notícia é ainda mais importante por ocorrer em um momento em que o governo federal inicia a nova fase de concessões no país, no âmbito do Projeto Crescer. Isso porque os investidores, principalmente aqueles de fora do Brasil, usam a avaliação das agências de risco em suas decisões de investimento, dando preferência aos países com melhor classificação (ver no Quadro 01, abaixo, a evolução das notas do Brasil). Assim, a expectativa da recuperação do nível de investimento deve ser benéfica, atraindo novos participantes para as licitações de infraestrutura de transporte programadas pelo governo federal.

Apesar de a nota do país em moeda estrangeira ter permanecido em Ba2 (o que a mantém em grau especulativo), a revisão da perspectiva evidencia que as condições macroeconômicas no país estão melhores e que os elementos especulativos, que levaram ao rebaixamento, estão sendo gradualmente eliminados do cenário brasileiro.

Há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2016, a Moody’s rebaixou em dois graus a nota de risco do Brasil. Os títulos brasileiros passaram de uma avaliação de grau de investimento para o nível especulativo, gerando desconfiança para investidores. Na ocasião, além de o cenário econômico estar diferente do atual (com inflação e taxas de juros mais altas, além da queda mais expressiva do PIB em 2015 – ver Quadro 02, abaixo), a crise política comprometia a expectativa sobre o desempenho do mercado.

A CNT avalia, assim, que a análise da Moody’s pode ser um indicativo consistente de que o país conseguiu realizar os ajustes mínimos exigidos pelo mercado. Se isso for confirmado e o país voltar a atrair investimentos, a retomada do crescimento pode estar mais próxima.


Entenda o sistema de avaliação da Moody’s

O que é um rating? 


É a opinião da agência sobre a capacidade de um emissor de títulos realizar os seus pagamentos de forma pontual durante a vida útil do instrumento (título, por exemplo).

Como os mercados usam o rating?

O usam para auxiliar na precificação do risco de crédito em títulos de renda fixa que eles possam comprar ou vender. Muitos também usam ratings como limites em seus parâmetros de investimento.

A classificação de longo prazo da Moody’s (vencimentos de um ano ou mais):

Grau de Investimento

Aaa – "gilt edged" - O mais alto grau
Aa1, Aa2, Aa3 – grau alto
A1, A2, A3 – grau médio-alto
Baa1, Baa2, Baa3 – grau médio

Grau Especulativo

Ba1, Ba2, Ba2 – elementos especulativos
B1, B2, B3 – carece de características de um investimento desejável
Caa1, Caa2, Caa3 – papéis de fraca condição
Ca – altamente especulativo
C – o mais baixo rating, perspectivas extremamente fracas de atingir qualquer condição real de investimento
quadro 01 - moodys-min.jpg
quadro 02 - moodys-min.jpg






Agência CNT de Notícias